Domingo, Dezembro 09, 2007

Esposas I – Análise problemática

Eis outra análise baseada em factos verídicos, talvez com o acrescento de um ou outro detalhe, mas sempre com a isenção que me caracteriza. Passou-se com um amigo com que jantei recentemente.

Assim sendo, está o referido amigo em plena reunião com alguns clientes, quando toca o telefone.
Percebe que é a esposa. Resolve não atender antes de terminar a reunião para então, com toda a calma, lhe poder dedicar a atenção que qualquer esposa merece.

Clica no “no” do telefone e segue a conversa com os clientes. O telefone insiste em tocar. Percebe que é novamente a esposa. Os próprios clientes lhe sugerem que atenda, pois pode ser importante. Atende. Os nomes empregues doravante são fictícios.

-Paulo…
-Diz, amor… estou aqui em reunião…
-Sim, mas é rápido… diz-me só qual é o teu número de camisa…
-De quê?... De camisa?... Não faço ideia…Porquê?...
-Estou aqui a comprar-te umas camisas… e precisava de saber o número…
-Ò Ana, não sei… mas não podemos falar disso depois?...
-Mas agora é que estou na loja…
-Mas estou a meio de uma reunião…
-Também não te custa nada… e só dizeres o número…
-Mas não sei… a sério, não sei…
-E não podes ver?
-Ver?... Ver como?...
-Tiras a que tens vestida e vês…
-Ò Ana… mas estou a meio de uma reunião…
-Pedes licença e vais num instante à casa de banho…
-Não; Ana… agora não posso. Desculpa mas agora não posso.
-Estás a ver?... Estás a ver como é que tu és?.... Eu esforço-me por te arranjar uma camisa… e
tu tratas-me assim…
-Mas assim como, Ana… só te disse que agora não posso… estou em reunião… podemos falar
daqui a meia hora?...
-Mas está em saldo… e daqui a bocado pode já não haver…
-Ò Ana… traz um tamanho largo…
-Mas isso não pode ser assim… até porque nos saldos eles não aceitam devoluções…vê lá o
número…

Entretanto os próprios clientes, para o deixar mais à vontade, fazem sinal que vão beber um café. Ele faz-lhes aquele olhar de “desculpem lá qualquer coisinha” e continua.

-Pronto, Ana… diz lá…
-Outra vez?... Já te disse… diz-me o número da tua camisa…
-Pronto… espera… deixa ver…

Despe o casaco, desaperta a gravata e tira a camisa. Procura mas não encontra nada escrito.

-Estou aqui a ver… mas não descubro nada…
-Ou está no colarinho ou está de lado… vê lá bem…

Ele procura novamente, mas em vão.

-Não, não está cá nada…
-Como é que não está nada?... Arrancaste a etiqueta?...
-Eu?... Que etiqueta?...
-A etiqueta do número…
-Não, Ana… não arranquei nada…
-Então como é que ela desapareceu?...
-Ò Ana… como é que queres que eu saiba… queres que chame a polícia?...
- (Aumentando o tom) Olha… estou eu aqui a fazer o favor de te comprar roupa… e tu ainda por
cima gozas?...
-Não estou a gozar… mas não sei da etiqueta…
-Se calhar o melhor é seres tu a tratar das tuas coisas… eu é que sou parva por ainda me
preocupar contigo…
-Não é isso, Ana… desculpa… mas apanhaste-me a meio de uma reunião…
-Sim… quando é para mim… tens sempre qualquer coisa primeiro…
-Mas estou a trabalhar…
- (Amuada) Então está bem… falamos logo.

E desliga o telefone deixando o meu amigo sem camisa e com a gravata afrouxada. Quando acaba de se vestir, a esposa telefona novamente.

-Paulo?...
-Diz…
-Agora já não é pela camisa… já desisti… mas a que horas é que vamos para casa dos meus
pais?...
- (Lembrando-se) Ah… pois é… o jantar… Ò Ana… só vou conseguir sair daqui lá pelas oito…
-Só às oito? … Então… a que horas é que lá vamos chegar?... Já sabes que eles não gostam de
jantar tarde…
-Pois sei, pois sei… mas não vou conseguir sair antes disso…
-Já sabias do jantar há uma semana… podias ter arranjado maneira de sair mais cedo…pelo
menos hoje…
-Ò Ana… mas são coisas que aparecem… como é que eu ia adivinhar…
-Mas sabes que eles não gostam de jantar tarde…
-Pois é… mas vão ter de compreender…
-Claro… quando é o que tu queres, todos têm de compreender… mas tu não fazes nada para
compreender os outros…
-Ò Ana… mas estou a trabalhar…
-Sim… isso já ouvi… se calhar o melhor é desmarcar…
-Não é preciso… diz só que chegamos um bocado atrasados…
-Como da outra vez…
- (Decidido) Desculpa, Ana… tenho aqui clientes… temos de falar depois… agora não posso…
-Não queres falar mais, não é?... Quando não te interessa…
-Não poso, Ana… não posso… estou a trabalhar… falamos depois…

Ela desliga. Ele fica a olhar para o telefone com ar cansado e combalido. Os clientes regressam. Novamente o telefone toca. Mais uma vez pede desculpa e, revirando os olhos, atende.

-Ana…
- Só para te dizer que não precisas de me tratar mal quando te falo para o emprego… mas tu és
assim mesmo. Já te comprei a camisa e o jantar logo é pelas oito e meia. Não te atrases.

E desliga.

Confessem, caros leitores… que seria de nós sem elas?
Até breve.

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Saúde – Análise problemática

Como sabem os meus caros leitores, interrompi a publicação deste meu/vosso Blog por um já explicado e justificado amuo.
Em nome deste, vetei-me ao ostracismo. Sim, ostracisei-me a ponto de não mais analisar variadas e promissoras situações de comprovado potencial “problemático”.
Desperdício, dirão… mas alegrem-se. A bem da cultura, atingi o limite da minha indiferença e “renasço”, com a análise da minha pessoal e mais recente experiência.

Assim sendo: Regressava a casa de madrugada, em meados da passada semana, quando nas escuras escadas do meu prédio piso acidentalmente um gato que por ali dormitava.
O lancinante miado com que o bichano se manifestou, foi suficiente para me fazer levantar os dois pés e escorregar pelas escadas que tanto trabalho me deram a subir. Resultado: Clavícula partida! (A minha, não a do gato…)

Sigo para o Hospital de S. José, por ser o mais próximo, e após diagnóstico sou informado da necessidade de intervenção cirúrgica.
Passo por lá a noite e sou, no dia seguinte, transferido para o hospital de S. Lázaro.

Chego pela manhã. Na mala (que não tinha) a secreta esperança de uma resolução para esse mesmo dia… embora começasse a desconfiar que a situação poderia não ser linear quando, a quem me trouxe o jantar, constatei olhar de admiração por nenhum médico me ter visitado.

Tive a certeza que nada ia correr como imaginava quando ao pequeno-almoço alguém me disse que, por motivo de greve na função pública, não iriam estar presentes quaisquer médicos naquela desastrosa sexta-feira e que no fim-de-semana iria ser igualmente “complicado”.

Sugeriram que fosse para casa e regressasse Domingo, pela hora de jantar.

Senti-me momentaneamente na tropa (que nunca fiz) a gozar licença de final de semana. Adiante. De regresso no Domingo, sou informado que, em virtude da operação no dia seguinte, não poderia ingerir absolutamente nada, nem mesmo água, a partir dessa meia-noite.
Assim foi. Uma noite de secura, mas com a resolução do problema no horizonte.

De manhã, pelas sete, entra o enfermeiro que me dá cinco minutos para tomar banho e vestir a bata. Ainda que ensonado, esforço-me por cumprir e aguardo o desenvolvimento.

Fui novamente assaltado pela incerteza do destino quando, três horas depois, aparece alguém que muito rápido confirma se já tomei o necessário banho e se volatiliza muito antes de lhe poder responder que, com todo aquele tempo, quase necessitava de outro.

Confirmei a tal certeza de que nada decorreria como fantasiei quando, cerca das duas da tarde, é anunciado o fim do meu jejum pois por motivos técnicos a operação não poderia ser realizada naquele dia.

O facto de saber que existiam pessoas a passar pelo mesmo e com bastante mais que uma clavícula partida foi o que, compreensivelmente, conteve a minha fúria.
Apelei ao meu lado desportivo, ignorei e em manifesto desprezo bebi uns quantos litros de água.

Ao vaguear pelo Hospital, dei comigo na sala de espera. Os cartazes de fracturas expostas, de barrigas abertas ou de doentes com cancro terminal que ornamentavam as paredes não me foram particularmente motivantes, pelo que, embora correndo risco de definitiva senilidade, optei por ver o programa televisivo da Fátima Lopes.

Aguardei pelo dia seguinte onde, pelas habituais sete da manhã, o filme se repetiu. Cinco minutos para tomar banho e vestir a bata. Com a minha prática, consegui em três, e aguardei. Continuei a aguardar. Aguardei mais um pouco, e adormeci.
Pelo meio-dia, alguém me acorda com as desculpas por um lamentável engano. A minha zona de residência não pertencia aquele hospital pelo que a cirurgia não poderia ser ali realizada.

Pode ter pouco a ver. Senti-me como aquela rodela de pepino que sempre vem nas saladas mas que ninguém come.

Pedi para falar com o director, que pelo facto se desculpou, mas confirmou a necessidade da transferência de hospital.

Fiz-lhe ver que tinha no pulso uma etiqueta (à laia de “Resort” – tudo incluído-), colocada no primeiro dia, com todos os meus dados e morada… e que se foi posta pelos serviços hospitalares, a informação da minha residência já estava presente desde o início da epopeia.
Senti-me inchado de bons argumentos e consegui novo pedido de desculpas.
Pequeno momento de inútil glória!

Fiquei a aguardar ambulância para o transporte. E aguardei. E continuei a aguardar.
Seis horas depois, ei-la que chega. Seguimos para o novo hospital onde, imaginei, iria ter de reiniciar todo o processo.
Curiosamente, foram escassos os minutos que intermediaram a minha entrada e a consulta mas verdadeiramente espantoso foi o facto de o médico me garantir que não necessitava qualquer cirurgia… apenas um suporte para o ombro e uma certa contenção nos movimentos. Aplicou-me a referida protecção e trinta minutos depois estava de caminho a casa.
Um grande bem-haja para o serviço nacional de saúde que, pelo que fui informado, me vai fazer pagar os cinco dias de indevido internamento no primeiro hospital.
De qualquer forma, todos concordamos: haja saúde!...


(joaosilvabastos@gmail.com) 7/12/2007

Quarta-feira, Janeiro 03, 2007

Caros leitores…

Calculo que tenham sentido a minha ausência… ou talvez não…
No entanto, explico: Cheguei à triste conclusão que, infelizmente… ninguém me acha piada!
É duro reconhecer, mas à excepção de um ou dois amigos mais compreensivos, NINGUÉM ME ACHA PIADA!
Por muito que tente, volte a tentar e insista em tentar, é escusado: NINGUÉM ME ACHA PIADA!

E, assim sendo, coloquem-se na minha posição: Para quê continuar a escrever na certeza que jamais alguém me achará piada, hem?...

Vocês, caros leitores, são testemunhas do longo e variado leque de abordagens das minhas “análises problemáticas” … com as quais imaginei poder vir a ser reconhecido por uma qualquer publicação, que pudesse vir a estar interessada na sua publicação… mas nada. Rigorosamente nada. Tentei jornais, revistas e todo o tipo de publicações… mas nem no boletim gratuito dos escoteiros da paróquia consegui um miserável espaço.

Será caso para desmoralizar?... Não é um panorama particularmente motivante, convenhamos… Assim sendo, pergunto: Que devo fazer? Continuar heroicamente, apenas por manifesto amor à camisola ou desistir da minha carreira de “analista problemático” para todo o sempre?...

Confesso… estou bastante na dúvida… principalmente num país onde a matéria prima abunda, penso ser manifesto drama a extinção de “analistas” como eu…
Talvez uma ou outra vossa palavra de encorajamento possa fazer regressar em mim a esperança desvanecida…

Estou eternamente disponível em joaosilvabastos@gmail.com .
Agradeço a quem desperdiçou o seu tempo na leitura das minhas “análises”, as tais totalmente isentas de piada.

Acreditem, fiz o que pude…
Até sempre

João Bastos

P.s-Para comprovados leitores do blog, aceito encomendas de temas para "analisar problematicamente". Tentem-me...

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Solidariedade – Análise problemática

Finalmente, orgulhosamente solidários. Viva, viva Portugal!
Nós, o povo, temos finalmente motivo (o tal que necessitávamos) para ver renascido o nosso Patriotismo. Não era sem tempo. Hurra!....
Aproveito, e aqui vos confesso: estive quase a perder a esperança… mas nada disso importa… O importante é estarmos muito, muito unidos graças ao grande momento desportivo que vivemos. Viva Portugal e bem hajam os eventos com esta importância.

Eis-nos todos contentes, felizes e acima de tudo alheios a um ou outro pequeno problema que o País possa ter por resolver… Calha sempre bem uns quantos jogos. Desligamos automaticamente de tudo o resto. A casa Pia, a Fátima Felgueiras, o Major Loureiro… tudo fica temporariamente suspenso, até nunca... Para já, é o orgulho do País que está em jogo. Tudo o resto se verá…

E a nossa petrolífera laranja, que tanto apoio dá a estas nobres causas, quase nos faz esquecer o preço da gasolina que vende… mas todos compreendemos. O petróleo está caríssimo (para alguns…) e a administração Pública tem de se fazer pagar… mas como em troca apoia o desporto...Está perdoada.

Vá lá, o que é isso… a altura não é para estes temas. O momento é de festa, de união, de solidariedade… Vamos todos fazer bandeiras… vamos comprá-las baratas nos hipermercados, porque a mão-de-obra chinesa também tem de rentabilizar…vamos pendurá-las nas janelas e na cabeça do cão…
Vá, vamos todos ser muito amigos, em manifesto apoio às dúzias de milionários que correm atrás da bola…

Ah, que bom ter renovado o meu orgulho Lusitano. Insisto: estava quase a perder a esperança…

Se querem mesmo saber, penso não haver vida para além do Futebol. A nossa total e absoluta indiferença pelos reais problemas do País, visíveis o ano inteiro, tem como paradoxo a nossa total entrega a estes absorventemente intelectuais programas desportivos.

Quem sabe, se os nossos deputados entrassem na assembleia com uma bola debaixo do braço, o povo já lhes daria a merecida atenção… ou melhor ainda: se o povo andasse também com uma bola debaixo do braço, talvez fossem os deputados a lhe darem mais atenção e não fazerem tantas "pontes"…

Desculpem… “bocas foleiras”…Nasci bom e correcto, podem perguntar aos meus Pais, mas a sociedade transformou-me. Perdoem-me…

Adiante. Soube com algum espanto que se construiu um novo estádio em Évora, com vista a facilitar os treinos da rapaziada, visto o imóvel ser próximo do luxuoso hotel onde se instalam.

Curioso… alegando razões económicas, estão a enviar as nossas grávidas para as maternidades espanholas (Ler” Bebés a metade do preço – Análise problemática”). Não ficaria também mais em conta enviar a selecção para treinar em Badajoz?...

Lá estou eu com as habituais “bocas foleiras”…desculpem. O desporto Rei tudo merece… mesmo que ainda ninguém me tenha dito como se vão pagar os estádios construídos em 2004, sendo que alguns dos quais só serviram para dois jogos… mas isso se verá. Para já, viva Portugal!

A meu ver, com tanta união, talvez se pudesse aproveitar para fazer frente à classe política, no que concerne a duvidosa utilização das verbas públicas. A título de exemplo, a administração do Banco de Portugal troca de automóvel de dois em dois anos (creiam-me… não são “Fiat uno”…). As revisões e gasolina, durante esse tempo, estão incluídas. Os contribuintes dividem a factura… acaba por não sair caro. A cadeira do Presidente custa cerca de dois anos de salário mínimo. As despesas de representação são ilimitadas...

Meus caros compatriotas: não seria bonito utilizar toda esta energia comunitária para investigar, entre outras coisas, como o nosso dinheiro está a ser utilizado? Custa-me a nossa apatia perante tudo isto. Todos sabemos que algo está errado… mas, à boa maneira Portuguesa, nada fazemos.
Nunca nos uniremos para fazer frente a uma classe governante recheada de “tachos” e apadrinhamentos nem a um sistema de justiça totalmente corrompido e ineficiente… mas no que toca à bola, cá estamos todos, solidariamente inseparáveis.

Enfim, por hoje termino… vai começar o jogo. Viva o desporto. Viva Portugal

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Aplauso – Análise problemática

Aplaudo o irrepreensível empenho da nossa classe política no exercício das suas funções. Aplaudo o seu profundo sentido de dever. O meu Patriotismo exalta-se ao saber-se governado por tão nobres valores. Bem hajam, meus caros…

Tenho-vos como mártires. Mártires que diariamente sacrificam sangue suor e lágrimas a bem da nação e que, como se não bastasse, optam ainda por contribuir do seu próprio bolso para o enriquecimento do País!...
Espantado, caro leitor?... Como sabe, por voluntariamente não comparecerem na Assembleia são multados e a coima reverte na íntegra para os cofres do estado. Bonito gesto!...
Confesse, era capaz de tanto em apoio à Pátria?
Como nativo, muito lhes agradeço… e tendo em conta a crise do País, ficam-hes bastante bem estas atitudes!... Obrigado, Senhores deputados. Honra-me ser governado por alguém com a ímpar generosidade de Vossas Excelências.

Ocorre-me até com alguma emoção aquele repente patriótico que vos levou a Sevilha em 2003, na final da taça UEFA, onde sacrificaram o vosso precioso tempo em prol do necessário apoio à nossa selecção. Hurra…Brilhante. Uma vez mais, a ausência foi necessária. Bravo, Senhores deputados...

Há um mistério sobre o qual grande parte da população se interroga. Cito: Sendo vossas Excelências o reduzido número de 230 almas, como vos é possível apresentar tanto trabalho feito… e sem nunca descurar promessas feitas ao eleitorado?… Uma vez mais, o meu aplauso!...
Muito tem o velho continente a aprender com a vossa capacidade laboral.

E que dizer daqueles de vós que anonimamente se disponibilizam para incentivar os destinos turísticos do País?... Acordam cedo, assinam a sua presença em São Bento e, imbuídos no espírito da necessária missão, seguem em silêncio para os cansativos almoços de marisco que o nosso litoral tão bem proporciona…e de tamanha ser a modéstia, optam por dizer que se ausentaram da casa-mãe por motivos pessoais, prescindindo de todo o seu justo mérito neste patriótico empenho. O meu aplauso novamente…

E pela cultura, há mesmo por entre eles quem abandone a tranquilidade do parlamento para fazer presença nas sempre enfadonhas inaugurações de livros… Nobre atitude. Repito: Mártires... Vossas Excelências são verdadeiros mártires!...Soube até de um caso que, vitimado pelo compreensível “stress” da profissão, se viu forçado a visitar um Médico amigo num qualquer dia em véspera de feriado… E claro está: foi obrigado a sair mais cedo. Muito mais cedo, para não apanhar trânsito… mas, não faríamos todos o mesmo?... Claro que sim.
E que dizer daqueles que, sempre pela Pátria, acumulam os mais variados e cansativos cargos por este País fora?... Desde política a desporto, nada escapa à sua irrepreensível gestão... e tal facto só legitima necessárias ausências às “traseiras do primeiro-ministro”…
O mesmo se poderia passar com alguém do povo se, justificando a sua falta ao patrão, alegasse acumulação de cargos. Corria até o risco de ser aumentado e de lhe diminuírem o prazo para a reforma, não vos parece?... Enfim… Não são obrigados a responder…

No vosso caso, senhores deputados, creiam-me: Todos compreendemos as vossas ausências e naturalmente as aceitamos. Se assim não fosse, não teriam o nosso voto…

Reparem: temos em vós, qual pai e filho, um belíssimo exemplo a seguir.
Com tão nobres atitudes, o vosso incentivo à nossa boa conduta é por demais evidente mas, lamentavelmente, somos quem por vezes não se revela merecedor de tão nobre classe governante. Perdoem-nos, mas compreendam: quase todos temos empregos profundamente sedentários e ao sabermos de alguém a aproveitar vésperas de um qualquer feriado para se deslocar, embora a bem da Nação, esta nossa mentalidade tacanha não nos permite ter em conta que o vosso árduo trabalho pode não escolher dia nem hora. Perdão uma vez mais…

E, para finalizar, quero deixar claro que graças a Vossas Excelências o estado português só pode caminhar para uma merecida e justa credibilidade popular. Os vossos líderes parlamentares são efectivamente seres humanos em quem cegamente confiamos, e é graças a isso que damos por muito bem empregue os poucos impostos que pagamos. Senhores deputados, continuem o bom trabalho. Continuarei a aplaudir…

Domingo, Abril 16, 2006

Bebés a metade do preço – Análise problemática

É indiscutível! Fazer compras em terras Espanholas é uma belíssima forma de poupança. Já todos o sabíamos! Desde o caramelo à gasolina, tudo é substancialmente mais barato no País vizinho.

Querem saber? Se a maioria da nossa população residisse perto da fronteira, ao invés do litoral, já há muito teríamos fechado as portas e já há muito que o nosso comércio se teria volatilizado… Enfim…

De qualquer forma, não só o povo reconhece esta vantagem comercial. A própria classe governante está cada vez mais rendida à competitividade económica dos “nuestros hermanos”, tanto que optou por encerrar algumas maternidades, alegando as referidas questões económicas, e transferir as nossas grávidas para Badajoz!...Olé!...
Pronto, é o início da debandada… começou agora. Se vamos nascer a Espanha, o melhor é ficar logo por lá, ou pelo menos aproveitar o carrinho do Bebé para o encher de compras no supermercado.
Claro que se podia aproveitar e tentar a segunda nacionalidade só que, infelizmente, os nossos vizinhos não nos facilitam a coisa a esse ponto. Vá-se lá perceber… Paciência.

De qualquer forma, fazer nascer os petizes em Espanha é uma pechincha. Segundo consta, em Elvas o parto custa cerca de 3000€ enquanto que em Badajoz se fica pelos 1900€. Uma espécie de saldos… não do “corte Inglês” mas do corte do cordão umbilical.

Faz sentido e já estamos habituados a estes desníveis económicos.
Não ficaria até mais barato encerrar todo o parlamento e deixar Madrid tomar conta do assunto? Com certeza que sim… podia ser até que os ordenados subissem, e que a maioria dos preços descesse… ou isto são “bocas foleiras”?... Talvez. Perdoem-me o mau feitio…
Já agora, pergunto: Não sairia também mais barato transferir os funerais para Espanha? Imagino as funerárias a oferecer calamares e sevilhanas aos desgostosos familiares durante a cerimónia… tudo ficaria mais alegre e é claro que, desgosto por desgosto, sempre seria um desgosto mais económico… o que está de acordo com os nossos conceitos de economia, por muito básicos que sejam! Poupança, a quanto obrigas…

Bem… se nascer por lá é mais barato e se morrer também pode ser, só nos falta a parte existencial, ou seja, viver! Porque será que o governo não nos encaminha também para lá viver? Explico porque não: Quem é que então pagaria os abençoados impostos que, com mais umas ajudas de Bruxelas, ainda permitem que este País ainda se arraste por mais algum tempo?

Pois é, caros contribuintes… Podem lá ir nascer e morrer mas de resto evitem lá passar porque não há nada de interessante nem de vantajoso... Quem é que quereria, por exemplo, comprar um carro a metade do preço? Ninguém, é claro… seria uma atitude pouco chique. Ninguém nos pode tirar o Lusitano prazer de contribuir para a economia do País através do nosso vistoso imposto Automóvel. É um direito que nos assiste… Claro que fazer as compras no supermercado e poupar 40% na factura é igualmente um pensamento que só existe nas ideias da classe média. Por cá, gostamos de pagar mais, mas de ter a consciência que contribuímos para as reformas da nossa classe governante. É outro prazer que nos assiste…

Assim sendo, dar início à nossa descendência em território nacional também poderia ser um prazer que nos assiste… mas não. Vão nascer longe, caros Portugueses e apareçam quando puderem fazer parte da população activa.

Para finalizar, aqui fica um pedido desculpa aos meus queridos e lusitanos leitores pois calculo que de esta minha “análise” se possa denotar alguma ausência de Patriotismo. Não. Creiam-me, não. Adoro o meu País, com os eléctricos, as eternas obras da Praça do Comércio, o fado e as sardinhas… por isso vos peço, excelentíssimos senhores governantes, não maltratem o meu ainda inalterado amor por Portugal… Só quero que compreendam que as minhas bases começam a ceder…

Segunda-feira, Abril 03, 2006

Progenitores – Análise problemática

Dos poucos valores que ainda subsistem na nossa sociedade, a família é, a meu ver e na maioria das opiniões, um dos inquestionáveis resistentes.
O casamento, sem me querer alongar no seu conceito e focando unicamente o ponto de vista antropológico, não é mais do que a união entre duas pessoas de sexo diferente, apoiada por um contrato matrimonial. O diferente, frise-se, nada tem a ver com o tamanho dos órgãos mas sim com o inicial sexo de cada um dos intervenientes. Mas adiante…

O que se passa com a nossa vizinha Espanha, não deixa de me espantar…e vou ter de desabafar, que é para isso que me pagam!...No registo civil, ao invés dos petizes terem o nome do Pai e da Mãe, passaram a ter o nome do “progenitor A” e “progenitor B”…
Espantado, caro leitor? Porquê? Acha que esta é uma forma de abandono de identidade afectiva, ou é algo que interfere directamente no seu conceito de família?...
É certo que atravessamos tempos de mudança… as uniões entre os mesmos sexos, embora uma minoria, estão cada vez mais em agenda diária, e será pelo evoluir destas situações que, em minha modesta perspectiva, tudo isto acontece.

Assim sendo, fará mais sentido designar os desactualizados Pais por actualizados progenitores? Sim, talvez. É um termo mais abrangente…

Quem somos nós para impor a uma minoria um conceito ultrapassado de família? Como humanos solidários que somos aderimos ao inverso, ou seja, abdicamos das nossas convicções em prol da referida minoria… que desta forma não se sentirá marginalizada.

Consegue calcular o diálogo entre as crianças da pré-primária? “Foste fazer queixinhas à Professora… és um menino mimado da progenitora”… “Não fui eu… foi aquele filho da progenitora… e se me bates vou fazer queixa ao meu progenitor”…”mas o meu progenitor é mais forte que o teu”…”Isso é que não é”…
E diz a professora: “Meninos, avisem os vossos progenitores que vai haver reunião de progenitores na próxima sexta-feira”… “O A ou o B, senhora professora?”

Claro que com o passar dos anos nos habituaremos às recentes transformações que irão, a curto prazo, alterar toda a terminologia familiar…Vejamos:
O Pai passa a progenitor A. A Mãe a progenitor B. O irmão do Pai passa a Tio A e o da Mãe a Tio B. O filho do irmão do Pai passa a primo A. Do irmão da Mãe a primo B. No caso do progenitor A, se casar pela segunda vez, o enteado tem nele o progenitor AA e o primo do enteado, pela parte do progenitor B é livre de o encarar como o Tio AB, tendo em conta que é o progenitor A de uma família (que não a sua), que reside com outra família (a do seu primo pela parte da mãe, logo B) e que por afinidade ficou a ser seu Tio.

Com tudo isto, só matemáticos credenciados estarão à altura de resolver os problemas familiares…enfim!...
Claro que para as nossas crianças, habituadas aos complicados jogos das consolas, a adaptação a tudo isto será relativamente simples.
Para nós os adultos, habituados aos complicados esquemas da sociedade onde vivemos, também temos hipótese de conseguir a necessária adaptação a todas estas actualizações.
Ao que dificilmente nos habituaremos é a esta sensação de que a instituição familiar é algo que flutua ao sabor dos diversos critérios governantes.
Creiam-me: longe de mim discriminar ou condenar socialmente alguém em função da sua orientação sexual mas, por favor, não me corrijam o sentido familiar que tão bem me foi incutido pelos meus pais.

Nada tenho contra qualquer tipo de junções, sejam do mesmo sexo, sejam entre periquitos e avestruzes. Todos temos direito à nossa opção mas, peço, não abalem o meu sentido de família… ou vejo-me obrigado a fazer queixa ao meu progenitor A...